que te sinto
que te quero
que sorrio
que arrepio
mas dói a Dor...ar
- cada vez escrevo menos. não falo da pena que me sustenta o vício e paga as investidas consumistas, mas da escrita que sai cá de dentro como um grito...
quantas vezes assalta a alma a ideia de um passado diferente, de como a escada descida ao contrário poderia levar para um outro plano de infinitos. são tantas as ondas que se deixam passar, tantas marés perdidas, outras tantas enclausuradas pela palma da mão em punhados de areia que se vão e os rios que seguem sempre para o mar. estar tão perto e tão longe, a largos dias de distância... e o relógio que não pára...

Tenho pressa em agir, tenho pressa em acabar o que não comecei, em chegar à meta logo após o sinal de partida.
Soltam-se os passos, descem os sorrisos e todos os corpos se movem a um ritmo silencioso, invisível. Do ser nasce a vontade fulgente de um pouco mais de tempo… e corpo.
Os dias passam a correr. Num instante o sol já se escondeu dando lugar ao luzeiro redondo da noite. Como pirilampos celestes as estrelas, lá no alto, rodopiam sobre si mesmas brincando um jogo de formas universal.
Longe vão os tempos em que te senti. Longe vão as horas e os minutos passados em beijos ternos e apenas o silêncio do olhar. E todos os sentidos se perdiam num mar de canela e almíscar. Era um olhar que me aquecia, fazendo todos os meus órgãos pulsar... De mansinho surgia o gosto, lançando cócegas no palato e o salgado de tez molhada.
Sacudo mais uma vez a toalha (são tantas e a areia que não desiste!). Sob um dos guarda-sóis, que se amontoam em cores, comem-se doces talhadas de melancia.
Ligo directo para a caixa de correio só para ouvir a tua voz,
Sei que é cena fora mas todo o dia chega a hora em que
o lado esquerdo chora quando se lembra de nós
A vida corre tranquila, cada vez menos reguila
meto guita de parte e a cabeça não vacila tanto
Para minha alegria e meu espanto
Pode ser que o passado fique por onde deve estar:
No pretérito imperfeito, já que não é mais-que-perfeito,
Este é um presente que eu aceito
Para atingir a tranquilidade
Que supostamente se atinge com a nossa idade
A verdade é que a saudade do que passou
Não é mais que muita...
Mas por muita força que faça ela passa por saber que
te vivi...
Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi
Agora,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu Mundo que eu mudei o meu.
Cada vez que eu ligo tento deixar mensagem
mas acabo por nunca arranjar a coragem
Necessária
Gostava apenas de partilhar contigo o quotidiano
habitual
Nada que se compare com as correrias
doutras alturas e doutros abismos
E já que falo por eufemismos
Gostava de dizer que ainda gosto bastante de ti...
A casa tá diferente, parece digna de gente
Dá gosto sentar no sofá com a tv pela frente
Comprei uma máquina de café
Xpto, bem bonita, azul bebé
Ocasionalmente cozinho e bebo o meu vinho
E esqueço o fumo que nos dava aquele quentinho
Hoje em dia é mais à base do ar condicionado
Condicionei a tentação num clima controlado
Quero que saibas que tou bem, sei que tu mais ou menos
Sempre gostaste de brincar em perigosos terrenos
Em relação a isso eu não sei o que fazer
E se calhar é por isso mesmo que acabo por não dizer
que
a verdade é que a saudade do que passou
Não é mais que muita...
Mas por muita força que faça ela passa por saber que
te vivi...
Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi
Agora,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu Mundo que eu mudei o meu.
----- Mundos mudos (Da weasel)

Se de um gesto triste ou de um sorriso falhado eu visse a transparência da alma… Arrancá-la, sangrá-la, esgotá-la sem pudor! Ver as vísceras, os órgãos, os músculos. Ver bem, ver dentro de mim. A matéria de que se é feito, os átomos que se movem, moléculas, células até ao infinito e deleitar-me com essas pérolas palpitantes, esses contornos que me fazem Ser. Entre estímulos e reacções movimentos ou vibrações, assegurar os limites entre cada porção e saber a matéria que faz bater o coração.