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15 dezembro, 2011

a(DOR)ar

Desculpa se não consigo parar
Se persisto no erro
Se custa a sarar
Se me assombra o medo
Se choro em segredo
E receio ver tudo a acabar

Perdoa se insisto em falar
Se volto à mesma história
Se me magoa a memória
Se sinto no peito
Se fico sem jeito
Mas fico sem ar

...quero dizer-te que te adoro
que te sinto
que te quero
que sorrio
que arrepio
mas dói a Dor...ar

10 outubro, 2009

amanhã, talvez

- cada vez escrevo menos. não falo da pena que me sustenta o vício e paga as investidas consumistas, mas da escrita que sai cá de dentro como um grito...
Porque me esfrangalho toda a cada palavra, porque dói cada frase construída e porque sem querer vejo espelhados os meus dedos.

Guardei os pontos de interrogação, fechei as dúvidas em lugar incerto.
e assim vou evitando rever-me, revisitar-me todo este tempo depois.
e assim deixo que o tempo passe e vá levando com ele a ânsia de tantas marés.

tenho o hoje
falta-me o amanhã...

24 agosto, 2009

tempus fugit

quantas vezes assalta a alma a ideia de um passado diferente, de como a escada descida ao contrário poderia levar para um outro plano de infinitos. são tantas as ondas que se deixam passar, tantas marés perdidas, outras tantas enclausuradas pela palma da mão em punhados de areia que se vão e os rios que seguem sempre para o mar. estar tão perto e tão longe, a largos dias de distância... e o relógio que não pára...

tic... tac... tic... tac...

...não entres pela porta que não deixei aberta. deixo-te a janela e a varanda, talvez o terraço para uma prosa...

29 abril, 2009

...

os dias já foram bem mais fáceis. quando as manhãs se enchiam de luz pelo simples toque da pele e todo o ar entrava nos poros sem esforço. e o silêncio era sinal de paz e a ausência apenas uma circunstância.
as luas passaram e trouxeram vagas agitadas, ruídos incessantes e o vazio. surgiram as frases incompletas, as pausas sucessivas e as vozes!
surgiu o desalento e o desencanto...
foi mais um pássaro a roubar das sementes plantadas.
foi mais um compasso que ameaça encerrar-se em suspenso.

e mais uma vez persiste o sonho ténue da plenitude.

01 março, 2009

delicioso

os 3 anos têm destas coisas...

Eu: Oh André, és do Porto?
Pimpolho: Sim
Eu: Então és portista...
Pimpolho: Não, sou André!!!!

14 janeiro, 2009

cessem as marés

As nuvens apertavam-se naquela manhã em que os passos lhe fugiram dos pés. Queria correr mas a estrada não deixava que continuasse na busca inglória das horas que escorriam no ar. Pegou nos pincéis e com um toque manchou o tempo e as luzes para que pudesse entrar no castelo. Foi lá dentro que viu e sentiu o poder das marés que crescem e passam, criando rios de distância e carris de saudade. Foram as aguarelas da lembrança que lhe permitiram ver os traços agudos na face de um riso.



--- Sei que estás aí…

06 novembro, 2008

sou de luas


e hoje estou em quarto minguante...

14 junho, 2008

pressa

Tenho pressa em agir, tenho pressa em acabar o que não comecei, em chegar à meta logo após o sinal de partida.

sinto o ar demasiado longe, demasiado só, demasiado sem mim.

preciso do já, do agora, do imediado

tenho pressa em encontrar e depois partir, tenho urgência em saber e então esquecer.

quero na volúpia ter para perder.

quero correr sofregamente até perder o fôlego quente que me preenche os poros.

quero poder fechar os olhos até desaparecer entre as ruas despidas de carne.

quero ver o sol queimar-me o peito de tanto bater, e no próprio colo despontar a luz.

quero amar assim sem mais nada, pelo gosto, pelo gesto, pelo cheiro de um beijo dado pelo não querer amar.

quero as pedras pisadas pelo passo das palavras simples.

quero o verde no céu e o o meu chão pintado em tons de carmesim.

quero... depressa!

29 fevereiro, 2008

two for tango

Soltam-se os passos, descem os sorrisos e todos os corpos se movem a um ritmo silencioso, invisível. Do ser nasce a vontade fulgente de um pouco mais de tempo… e corpo.

E no beijo que se troca encontraram-se naquela sala trepidante…como uma história. Viram-se, olharam-se, sentiram-se criando castelos no ar de palavras e pedras soltas.

Era o corpo que pedia outro corpo e a noite que se fez sem pensar.

11 fevereiro, 2008

Como um grão de areia

Os dias passam a correr. Num instante o sol já se escondeu dando lugar ao luzeiro redondo da noite. Como pirilampos celestes as estrelas, lá no alto, rodopiam sobre si mesmas brincando um jogo de formas universal.
Sentado num banco de jardim o Homem pára e sente a sua pequenez. Queria poder vibrar e transformar-se num pequeno cosmos para tudo saber; queria pertencer ao Olimpo mas retrai-se à sua condição mortal, efémera, fugaz…
Num relógio biológico, silencioso, como uma bomba, queimam-se os segundos, os minutos, as horas que já passaram. Qual herói da mitologia clássica o Homem rouba o fogo de Zeus, controla os mares de Poseidon, agita as areias do deserto infinito e tira o sopro ao vento norte. Do banco do jardim viaja mentalmente para um deserto quente, sufocante. Num desejo absurdo de reter todas as partículas abarca um punhado de areia que se agita num rebuliço e cai, inerte, perdido, no chão.
O deserto é o seu próprio relógio/ampulheta que se esvazia continuamente. Enquanto isso, os quatro elementos, que o Homem outrora roubou, alteram constantemente esse deserto criando a possibilidade de tudo apreender. A duna efémera do conhecimento está mesmo à sua frente mas eis que numa rajada volvem-se imensuráveis grãos, revoltam-se as areias e a duna virou planície como se sofresse uma mutação.
Nova calmia, nova paisagem, novo conhecimento a atingir. Nesta paragem utópica o calor confunde a mente e convence, atraiçoa, da existência de um verde, fresco, remoto oásis. Perdem-se os sentidos no suave odor da água…
Numa sede imensa mergulham-se as mãos e ingere-se o suco celeste, inebriante. Das folhas verdes das palmas surge a borboleta, outrora crisálida, larva. Sofrendo constantes metamorfoses criou asas e voa, rodopia num torvelinho sobre a cabeça do Homem que se deleita com a dança. As pequenas asas batem vigorosamente reflectindo partículas de luz como vitrais incandescidos.
E o bater das asas vira brisa, e a brisa vira vento que revolve novamente a areia da duna que já não existe. O oásis desaparece e um mar árido infinito estende-se, oferece-se, por todos os lados.
Surge o grito imerso no ser, surge o desespero de não conseguir compreender a impossibilidade de tudo saber. E o relógio não pára, o tempo já foi e chega o momento de voltar à simples condição de átomo (grão) perdido entre as mil e uma noites de um só dia.

beijos violeta borboleta

15 janeiro, 2008

memória de um beijo por dar


Queria saber-te mais do que sei e sinto...

Mesmo sendo utopia, qui ça ilusão, permiti-me deixar correr um formigueiro doce cá dentro...

Momento bom, fugaz...

Vão-se os beijos trocados por palavras e fica o gosto da tua boca que não sei...




Beijo violeta borboleta

26 dezembro, 2007

saber-me

Escorre-me o teu olhar pelas mãos...
Quantas vezes apenas pedi que me guardasses num abraço
e me levasses para esse teu mundo perdido
de meninos grandes e fadas e brilhos!
Esperei-te no ar, no vento, no norte sem estrelas...
Foste o meu sol, a minha lua, a minha estrela polar e o meu cruzeiro do sul...

Era nas horas calmas, momentos mortos que nos encontrávamos.
Ficávamos assim perdidos, vendo castelos no ar e...
Era o teu calor e o teu jeito traquina em mim.

Sabia-te de cor.
Soube-te de cor pelas linhas cruzadas em labirintos nas minhas mãos
Corri os teus olhos como uma planície de cor, pontilhada pelas pétalas do teu sorriso
Respirei-te
Senti-te
Vivi-te em mim!

Escorrem as tuas mãos pelos meus olhos...
... salgados, molhados, sem cor...

Foste uma tangente ao meu círculo
Uma intersecção à minha recta, plano transversal
Caminhaste sempre no teu eixo
Sem nunca pensar na minha função.

Espera-te o infinito...
Espera-me o infinito...
Voltaremos ao princípio como o próprio relógio?

Sento-me frente ao espelho
Devolve-me um reflexo que não reconheço
Que não sou mais eu nem a minha aparição
Fita-me um olhar diferente, um sorriso oco
E nele, o teu brilho de outrora...

Soube-te em mim,
Já não me sei mais.

28 outubro, 2007

long(i)tudo

Longe vão os tempos em que te senti. Longe vão as horas e os minutos passados em beijos ternos e apenas o silêncio do olhar. E todos os sentidos se perdiam num mar de canela e almíscar. Era um olhar que me aquecia, fazendo todos os meus órgãos pulsar... De mansinho surgia o gosto, lançando cócegas no palato e o salgado de tez molhada.
Perco-me nas lembranças do desejo...

- onde estás?

Tudo começa no simples ofegar porque o ar parece fugir do próprio ar.

- estás aí?

Tudo começa com as palavras... (inocentes!) Trocam-se sílabas doces, seduzem-se os verbos e as sinapses, as metáforas e as melopeias... e tudo num frenesim!

Fecha os olhos, esquece os sentidos (dominantes!) e deixa-te embalar... Cada batida no peito é um toque leve na pele, cada palpitar dos olhos, um beijo quente e cada gesto perdido, cada abraço que se afasta, cada ondular dos cabelos... sou mais que eu, e apenas eu, em ti.

Soltou-se um beijo sob a chuva. Trocaram-se as palavras prometidas entre o doce aroma de um qualquer licor partilhado. Encheram-se os olhos de brilho da noite, tremeram as mãos, o corpo, a pele crua!

Sonhei-te mais que a ilusão...

- preciso-te...



beijos violeta borboleta

29 setembro, 2007

doces pecados de sol

Sacudo mais uma vez a toalha (são tantas e a areia que não desiste!). Sob um dos guarda-sóis, que se amontoam em cores, comem-se doces talhadas de melancia.
-Qu'est que c'est ça maman?
Pergunta um dos petizes depois de uma enorme trinca no fruto rosado.
Ao lado uns olhos grandes sorriem para mim
- Olá! - dizem os dentes pequeninos... pequenas pérolas. O João Paulo parece gostar de areia e de praia e de mar. Com uma camisola laranja, grande demais para o seu corpo franzino, corre em saltos em volta das conchinhas de plástico. Parece saltitar por entre as imensas dunas criadas pelos pés que passam. Não deve ter mais de quatro anos. Quer ir ver as ondas e os barcos que navegam no horizonte. O chapéu de pala ao lado não incomoda a missão... nem a voz do pai que o chama incessantemente quando começa a caminhar. O João Paulo não conseguiu chegar à meta e, como que à tira colo, regressa ao ponto de partida. atira-se para o chão, deita-se na toalha e faz uma daquelas birras típicas da idade em que não se aceitam contrariedades menores. O pai desiste. Afinal, também ele quer um pouco de mar para lavar tantos pecados de sol.
Mãos dadas
Passos certos
Mais uma onda...


"Porque os frutos maduros são doces?"

Beijos violeta borboleta

P.s.: esqueci o beijo que ainda me faz cócegas no coração
P.s.2: novo blog de trenguices, parvoíces e outras 'ices em http://wwwf-util.blogspot.com

28 agosto, 2007

beijo de borboleta

Acordei hoje num raio de sol.

Fui espreitando docemente
pela minha janela entreaberta,
esticando as longas asas
enquanto o sono
não desperta.

Num gesto traquina,
em jeito de travessura,
voei levemente
até poisar na boca nua.

Roubei-te o beijo, o gosto, a pele crua
e passeei-me pelos teus poros
até ser tua.

Quis-te assim, pela manhã, ao acordar...

17 agosto, 2007

muda...



Ligo directo para a caixa de correio só para ouvir a tua voz,
Sei que é cena fora mas todo o dia chega a hora em que
o lado esquerdo chora quando se lembra de nós
A vida corre tranquila, cada vez menos reguila
meto guita de parte e a cabeça não vacila tanto
Para minha alegria e meu espanto
Pode ser que o passado fique por onde deve estar:
No pretérito imperfeito, já que não é mais-que-perfeito,
Este é um presente que eu aceito
Para atingir a tranquilidade
Que supostamente se atinge com a nossa idade
A verdade é que a saudade do que passou
Não é mais que muita...
Mas por muita força que faça ela passa por saber que
te vivi...
Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi
Agora,

Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu Mundo que eu mudei o meu.

Cada vez que eu ligo tento deixar mensagem
mas acabo por nunca arranjar a coragem
Necessária
Gostava apenas de partilhar contigo o quotidiano
habitual
Nada que se compare com as correrias
doutras alturas e doutros abismos
E já que falo por eufemismos
Gostava de dizer que ainda gosto bastante de ti...
A casa tá diferente, parece digna de gente
Dá gosto sentar no sofá com a tv pela frente
Comprei uma máquina de café
Xpto, bem bonita, azul bebé
Ocasionalmente cozinho e bebo o meu vinho
E esqueço o fumo que nos dava aquele quentinho
Hoje em dia é mais à base do ar condicionado
Condicionei a tentação num clima controlado
Quero que saibas que tou bem, sei que tu mais ou menos
Sempre gostaste de brincar em perigosos terrenos
Em relação a isso eu não sei o que fazer
E se calhar é por isso mesmo que acabo por não dizer
que
a verdade é que a saudade do que passou
Não é mais que muita...
Mas por muita força que faça ela passa por saber que
te vivi...
Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi
Agora,

Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu número, eu mudei o meu,
Muda o teu Mundo que eu mudei o meu.

----- Mundos mudos (Da weasel)


30 julho, 2007

tu e eu


É nos dias mais cinzentos que te encontro. Sentada sobre o parapeito da minha janela, perdida sobre o mar. Há quem diga que ouço os teus murmurios nos meus sonhos, mas eu sei que apenas te sinto quando o meu barco encontra o cais. Entre jeitos e enleios profundos, descortino a sombra dourada que paira na tua mente e se envolve em cada momento que te sinto. Passo a passo caminhamos de mãos dadas, voltamo-nos para o próprio vento em busca daquela resposta que irá fazer-nos sorrir. Percebo os teus olhares travessos em tons de sombra, repetindo cada sílaba que sai da minha voz. Não tremo nem temo os dias porque sei que estás aí. Somos um tu e eu, eu e tu, o encontro de mim com o meu próprio ser que por momentos rompeu as próprias raízes que nos ligavam.

02 julho, 2007

(i)material

Se de um gesto triste ou de um sorriso falhado eu visse a transparência da alma… Arrancá-la, sangrá-la, esgotá-la sem pudor! Ver as vísceras, os órgãos, os músculos. Ver bem, ver dentro de mim. A matéria de que se é feito, os átomos que se movem, moléculas, células até ao infinito e deleitar-me com essas pérolas palpitantes, esses contornos que me fazem Ser. Entre estímulos e reacções movimentos ou vibrações, assegurar os limites entre cada porção e saber a matéria que faz bater o coração.

Ser a veia que transporta, ser o osso que sustenta. Ser carne, sangue e tudo… E absorver num sorriso o cheiro delicado de uma Primavera tardia, da relva cortada, molhada numa noite fria. Deixar que o pensamento voe solto sem as fronteiras do metafísico, exorxizando todo o contexto real, tangivel, palpável.


Existir mais que Ser... Possuir mais que apenas Ter...
Planar entre universos de omnipresença e Sentir... sem tocar, sem ver ou ouvir, sem cheirar ou saborear... De uma orgia dos sentidos passar para o nada simples do Nada, a ausência, o abstracto em planos díspares, o Tudo dentro do vazio e deixar que o riso daquela criança de guarda-chuva amarelo que brinca lá longe, trespasse o corpo e se fixe na alma como os grãos de areia arrastados da praia pelo vento norte.