Sweet sweet rain
Feel the rain on your face
Let the Heavens open
Feel the rain
Feel the rain
Sweet sweet rain
Feel the rain on your face
Let the Heavens open
Feel the rain
Feel the rain
Era uma vez uma fada. E a fada vivia num castelo, desses encantados, com véus e flores a cobrir os parapeitos das janelas, elas próprias encantadas. Como todas as fadas, vestia de cor-de-rosa e passeava com varinha de condão, sempre acompanhada de pequenas borboletas, libelinhas e colibris. Tinha cabelos loiros e olhos brilhantes de luar, mas faltava-lhe um príncipe para beijar. Naquela manhã encantada, a minha fada encantada, como o são todas as fadas e também todas as manhãs, ergueu a varinha para fazer um vestido. Não um vestido qualquer, que nenhuma fada aceita simples tule, organza ou cetim. Teria de ser um vestido especial, em que todos os elementos estivessem conjugados numa perfeita união. Não poderia faltar o brilho do sol, ou os raios da lua, nem sequer as ondas do mar ou a leveza do próprio ar. Com aquele vestido, a minha fada queria voar...
Blys sentiu o cheiro da saudade. Vinha a dançar por entre as ruas entrançadas da cidade antiga, bailando até ela num sopro de vento. Trazia pedaços de um ser, rasgados como um tecido velho, esquecido num qualquer canto empoeirado. Era de Homem o cheiro, almiscarado, inebriante como uma bebida que entra depressa demais para a corrente de plaquetas e hemácas que transformam o sangue num fluido carmesim. Estava empoleirada numa janela esquecida de um sótão perdido quando sentiu o aroma que logo a atormentou. Um misto de tristeza, ansiedade, alegria pela memória e eis que algo começou a resvalar pelo seu rosto. Um líquido salgado, transparente que logo lambeu com a ponta da língua rosada pelo prazer de um novo sabor. Fechou os olhos e levou a mão à cara para tocar tal substância que foi espalhando pelo rosto até não existir mais. Queria sentir outra vez, queria poder ser o líquido e deixar-se verter por tantas e muitas caras marcadas por sorrisos, tristezas, olhares de surpresa ou diversão... Queria o todo através dessa mistura de água com sal e sentimento. Ser todas as gotas, ser todas as faces e todo o mundo num só elemento!!! O profundo conhecimento, prazer, desejo. Blys entregou-se ao vento da saudade e deixou-se dançar sem sombras, sem contrastes ou reflexos.
Quero-te provar, encontrar esse equilíbrio entre o sabor e o cheiro do que és por dentro... quente, doce, vibrante... Poder morder das próprias entranhas o suco da vida e beber até saciar a minha sede de ti. 