25 agosto, 2011

...e

… sim custa.
Custa-me que mais alguém tenha visto
por aquele prisma
com aquele olhar
daquele ângulo
que entretanto eu descobri…

…e vou descobrindo a pouco e pouco
ao mesmo tempo que me vou perdendo,
mas sabe bem…

Sabe tão bem
como passar a mão pelo cabelo
e olhar bem lá dentro
e sentir que aquece!

e sim…
por isso custa.
Custa-me por querer só para mim
e saber que divido com o tempo,
com o passado e com a memória
a tua, a minha e a dos dias...
e porque não sei gostar menos
     
não sei palavras por metade




24 maio, 2011

Cans(aço)

Cansa-me o cansaço
Que pesa no peito
Nas palavras sem jeito
Que sem pudor desfaço

Cansa-me o que faço
E o que não faço e tudo mais!
Aborrecem-me e cansam
Todas essas frases iguais



Foram filmes e sons
Cenas e sons
Sombras e luzes
Cores e vozes
..e um imenso cansaço
aço
aço
aço


Quando quiseres entrar,
vem devagar
mas não me canses...

26 abril, 2011

Pinta(rola)

Salta a pinta pintarola
Saltita!
Salta a pintarola da pinta
Catita!
Pinta que desse lado salta
Bonita!
Solta-se a pinta e eu derreto…
Que pinta!

21 abril, 2011

beijo bom

Era uma vez… porque todas as estórias começam assim e esta, apesar de ser de um beijo, não podia ser diferente. É a estória do Beijo que andava perdido entre duas bocas que teimavam em não se encontrar.  O Beijo ficava por ali, no canto direito do lábio, esperando o melhor momento, a hora certa, o minuto exacto que parecia nunca chegar!!! O desespero, a dúvida e a terrível cócega que se apoderava da pinta do nariz quando o Beijo para lá fugia a fim de se esconder…

Olá’ – dizia o Beijo escondido no canto direito da boca dele
‘Olá’ – piscava o olho o Beijo perdido no canto direito da boca dela

Mas os lábios diziam outras coisas, alheios à comunicação do Beijo ali esquecido. Falavam de tudo e de nada, de sons e silêncios, de risos gargalhadas e até da chuva e do tempo. E o Beijo lá ficava, de braços cruzados e impaciente, sem perceber porque não se podia mostrar.
Este era um bom beijo, feito de açúcar e algodão doce, de confetis e bolas de Berlim, de café e licor de anis, de dúvida e curiosidade, de química e atração… prometia muito o bom do Beijo e os lábios que continuavam sem se tocar…!
‘Grrrr’ – rosnava o Beijo impaciente da boca dela
‘Hmmm…’ – pensava a medo o Beijo quente da boca dele

Enquanto isto, lá ficavam os lábios em franca comunicação, lançando ao ar palavras esdrúxulas que flutuavam frente aos olhos para onde o Beijo havia viajado. Porque um beijo, para ser bom, deve ser dado, e roubado, sempre com o olhar que lentamente percorre o canto direito do lábio.
‘Beijo, chamo-me Beijo’ – cantarolava o Beijo fugido para o olhar dele
‘Beija-me então, Beijo’ – pedia o Beijo perdido no olhar dela

Foi preciso um silêncio, várias cócegas, dois passos, um momento em que os lábios se calaram e os olhos se despediam para que o Beijo aparecesse. E foi como prometia… ou até melhor… bem melhor… Trazia cor, rimas e covinhas na cara. Trazia o toque, o peito e a minha cabeça no teu. Trouxe um abraço quente, um sorriso cá dentro e cócegas no coração.
‘Olá, Beijo Bom’ – digo-te eu e o beijo com saudades do canto direito do teu.

28 novembro, 2010

do que era... e foi

Era o sonho de uma noite que virava poesia
e por entre as ondas desaparecia,
tragado pela sede de viver.

Era a minha voz solta no ar
que pelo medo se sumia,
pedindo apenas para ser.

Era um riso e um choro contido
Eram do sangue a latejar
Foi no passado perdido
No tempo que fugia,
mas tem de acabar!

15 novembro, 2010

sabes?

Sabes quantas vezes me esqueço do sol?
Sabes quanto me pesa esse teu ar?
É como se todo o mundo olhasse para longe
E tudo voltasse à origem, ao mar.

Sabes qual a cor do teu papel?
Sabes quão doce me é a tua loucura?
Até podia escrever-ta
ou mesmo esquecer-te,
mas perco-me sempre por essa tua (minha?)
rua escura!

...meia volta, volta e meia
                                 das minhas raízes soltam-se as vozes,
                                 reclamando raios de lua cheia.

08 novembro, 2010

até chegar

Bastou um sopro, apenas um sopro para que abrissem fendas nos pilares do castelo que começava a construir (no ar?).
Das palavras se fez vento, do vento se fez machado da querra que comecei mas, vejo hoje em rajadas, jamais pude, ou poderei, ganhar.
Pela janela, o céu cobre-me o rosto da chuva que se esconde no peito...

Não cheguei a dizer-te 'adeus', mas o teu tempo (o nosso tempo?) perdeu-se nos dias.
Não cheguei a dar-te um beijo, mas da minha boca saíram, quentes, todos os verbos.
Não cheguei a contar-te o meu mundo, mas lentamente abri as portas do teu (meu?)
Não cheguei a ouvir o meu peito quando pedia outro (igual?) mas estendi-te os braços de par em par.

- Hoje sou sujeito, conceito abstrato, uma imensidão... Em mim!

Não cheguei a deixar-me gostar, mas senti... Sempre!
Não cheguei a dizer-te 'adeus', mas até sempre... talvez.